Legenda vira “patinho feio” da TV paga

A tal da “versão brasileira, Herbert Richers” faz escola.

De olho na classe C, a TV paga avança sobre um velho conhecido dos canais abertos: o conteúdo dublado.

Esse fenômeno nos leva a uma simpática casa na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. Lá, alunos escutam atentos a um professor -e ele ouve vozes em sua cabeça.

A falação, na verdade, vem de múltiplos personagens dublados por dois irmãos que idealizaram, em 2009, a Universidade de Dublagem.

O vasto arco vocal de Wendel Bezerra, 36, abrasileirou de Bob Esponja a Edward, vampiro-galã de “Crepúsculo”. Ulisses Bezerra, 42, já falou por Charlie Brown, o menino de “Snoopy”, e Shun, dono da armadura rosa em “Cavaleiros do Zodíaco”.

Mas a dupla vem de uma geração mais antiga, na qual as manhas do ofício eram repassadas nas salas de dublagem, do veterano ao novato.

Tempos em que craques como Marcelo Gastaldi (voz de Chaves) “não queriam passar três horas repetindo a mesma cena e ensinavam logo os truques”, diz Ulisses.

Essa tradição se perdeu. Agora, a tecnologia permite que dubladores gravem separadamente sua parte -o produto final é montado depois.

Como a passagem de bastão já não acontece, os irmãos Bezerra decidiram criar a escola. Até porque demanda é o que não falta. Os canais de filmes que mais dão audiência são justamente os que aposentaram a legenda, como Telecine Pipoca e TNT.

Pesquisa do Data Popular feita em 2011 mostra que 58% da classe média gosta de filmes estrangeiros e que 76% desses espectadores preferem programas dublados.

Para Ulisses, tem muito “intelectualoide” falando mal da prática. “Você pega Jô Soares, que fala 322 línguas, e ele diz: ‘Não gosto de dublagem'”, ironiza.

Ele escuda seu ofício com um argumento curioso. Tome o filme “Advogado do Diabo” como exemplo. “Se você começa a ler legenda, não vê nada do que Al Pacino faz na tela. Perde a atuação dele.”

VERSÃO BRASILEIRA

Em São Paulo, são cerca de 200 profissionais, que precisam ter registro de ator e ganham média de R$ 80 por hora -a praxe é ser freelancer.

A Universidade de Dublagem oferece cursos de 50 horas por R$ 2.500. O perfil dos alunos é variado. Tem cantor, estudante, e contador, gente de oito a 80 anos.

Aspirantes como Suzete Piloto, 48, aprendem aquecimento vocal, dicção e sincronia da voz com os movimentos do personagem, sem esquecer da interpretação. Nada fácil, por ser algo bem distinto “de atuar com o corpo”, como no teatro, diz ela.

Para Ulisses, é importante aumentar a qualidade de um serviço que, se sucateado, vira alvo fácil de chacota.

O histórico brasileiro é cheio dessas derrapadas. Um exemplo: alheia à histeria dos fãs, a distribuidora de “Amanhecer” decidiu trocar as vozes já consagradas nos outros filmes da saga “Crepúsculo”.

Yes, nós temos… dublagem.

Fonte: FOLHA

Postado por Cleberson

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